14 April, 2006

Soneto de Fidelidade

. De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Morais

"O tempo não vence e a tristeza não derruba quem vive apaixonado"

12 April, 2006

Hoje pela primeira vez..

Hoje pela primeira vez.. Eu acordei uma hora depois do usual.. Fiz um caminho diferente do caminho de todas as manhãs... Encontrei pessoas deferentes.. Passei por lugares diferentes.. O inspetor não me cumprimentou calorosamente como antes.. Não perguntou se eu estava bem naquele dia.. A minha sala não era mais a mesma.. O andar já era outro... As pessoas já eram diferentes.. Senti-me perdido, nu, deslocado.. As pessoas olhavam-me como se fosse um estranho.. Talvez fosse.. Logo depois.. Os colegas foram familiarizando-se As conversas tímidas e encabuladas passaram e ter mais calor.. O diálogo passou a fluir como nunca antes.. Descobri que havia feito amizades diferentes.. O tempo passava de um jeito diferente.. Me sentia mais confiante, mais forte.. Agora eu era diferente.. Minhas concepções eram diferentes.. Meus pontos de vista eram diferentes Descobri que a minha vida já não era mais a mesma.. Meus amigos estavam diferentes.. Minha família estava diferente.. Meu humor está diferente.. Estou feliz.. Agora... de verdade.. sou feliz.

"Um universo de mutações diante do olhar de um crescente humano subversivo"

11 April, 2006

Morre lentamente..

Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve musica, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o claro e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, o sorriso dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves. Viver exige um esforço maior do que estar vivo e o empenho leva a conquista de um estado esplêndido de felicidade. Beijo e Abraço a todos..

04 April, 2006

Letras ao Vento

Fotos, cartas, bilhetes e lembranças de um distante passado recente, tempo enterrado pelos novos ares, sedimentado na lembrança de todos os sobreviventes.. O vento sopra em novas direções, outros desconhecidos horizontes passam a surgir diante dos olhares ainda tímidos de tardios adolescentes.. Os caminhos vão sendo construídos, trilhando o mundo selvagem que os espera, alguns ainda sem rumo, estacionam a espera do sol ou seguem a trajetória alheia... Pisando sobre as rosas e espinhos, se ganha habilidade dos maiores, capacidade para voar com as próprias asas, caminhar com as próprias pernas.. Mesmo parecendo impossível as portas se abrirão, despertando a curiosidade que impulsiona o progresso para o novo.. Preparem-se senhoras e senhores.. Turbulências de todos os tipos aproximam-se.. Crises existenciais tomam forma.. Porém, a vida apenas começou.. Feliz é pouco.. Radiante seria melhor.. Impaciente em relação a tudo isso.. Um lado é tomado pelo receio e pela vontade de ficar.. O outro, é dissolvido pela curiosidade e anseio por novos terrenos.. No mínimo excitante ao extremo.. Com a mente atrevida..a ousadia domina..fazendo seguir em frente... Desbravar as trevas e cortar os campos.. Perigoso talvez...mas digno de alguém com bagagem para longas travessias.. O olhar paralisa, mas encanta e fascina.. O casual e a rotina provocam náuseas.. Pois sempre achei que ser normal é um tanto medíocre.. A ingenuidade revigora a malícia saudável.. Traz a tona o senso crítico subversivo.. Olhem todos.. As pernas firmam-se.. As asas fortalecem-se.. Olhares voltados para o alto...a mente preparada para alçar novas decolagens.. Sinto que o mundo é inteiro meu.. Lá fora eles me esperam.. E é bem pra lá que vou.. A liberdade me pertence.. Nada me segura.. O céu é o limite.. “Quando sentires a liberdade das alturas, caminharas na terra com os olhos voltados ao céu, de onde veio e para onde desejarás voltar.”